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Status atual, incerteza e futuras necessidades de monitoramento de carbono orgânico do solo

Escrito em 26/08/2013 por Robert Jandl et al.

   Atualmente, vários esforços visando à criação de mapas globais do “carbono do solo” (C) estão em andamento. Conceptualmente, as abordagens são diferentes, sendo assim, os reservatórios de Carbono Orgânico do Solo (COS) podendo ser derivados a partir de propriedades morfológicas do solo, ou a partir de concentrações de medidas do COS. A primeira abordagem baseia-se numa maior densidade de dados. Uma vez que o objetivo principal é a criação de um mapa global do solo, o mapa do carbono do solo derivado pode ser considerado como um produto secundário. Pois o estoque do COS exibido já é uma aproximação e tais mapas são inadequados para a avaliação de alterações do COS. No entanto, eles podem – em conjunto com outros elementos de informação – produzir informações relevantes sobre os potenciais “hotspots” para as mudanças do COS. A segunda abordagem pode produzir mapas mais precisos dos reservatórios do COS, se os parâmetros adicionais, tais como a densidade do solo estiver disponível em um nível semelhante de qualidade. Nos casos em que a incerteza da estimativa do reservatório do COS estiver disponível, a avaliação das alterações do COS será possível.

   Idealmente, os esforços entre as comunidades de mapeamento estão unidas. É preciso uma comunidade comprometida de especialistas em solo, que seja equipada com uma infraestrutura e recursos necessários para cumprir a meta. Ao contrário de muitos outros campos, os sistemas de observação da Terra estão longe, não oferecendo uma solução.  Os dados necessários são coletados em programas onde o trabalho de campo estiver tendo um papel importante. Em reconhecimento a estes desafios, os esforços de criação de mapas do carbono do solo estão longe de serem concluídos.

   Existem ainda fortes discrepâncias na cobertura regional de informações do COS, combinando informações de regiões com alta densidade de dados medidos com as regiões quase desconhecidas, sendo assim um desafio. Uma vantagem importante dos mapas já apresentados é destacar em quais regiões existem as lacunas de informações mais relevantes.

   Um programa de monitoramento global do COS precisa ser impulsionado por uma necessidade claramente formulada. Um pré-requisito é a identificação de regiões onde as modificações do COS são mais suscetíveis, e das regiões onde as alterações esperadas tenham uma extensão relevante. Portanto, um ponto de partida lógico é se concentrar em regiões que atualmente têm estoques do COS. Estas podem ser as regiões com taxas acentuadas de mudança no uso da terra, ou regiões que se esperar que sejam mais fortemente afetadas pela mudança climática. Outro tema é o foco em procedimento de laboratório. Um programa de monitoramento global do COS precisa de protocolos de laboratórios padronizados.   Presentemente, muitos métodos para a análise das concentrações do carbono do solo em massa ou suas frações, estão disponíveis e têm seus méritos indiscutíveis. Em retrospectiva sobre a geração de dados descentralizada, é viável sugerir métodos padrão-ISO para a medição da concentração do Carbono do Solo e, para documentá-lo em um manual.

   Semelhantes esforços de modelagem precisam ser avaliados. Enquanto o desenvolvimento de modelos sofisticados estiver bem justificado para a aplicação em um contexto regional, o monitoramento global do carbono do solo precisa contar – por enquanto – em modelos de simulação que podem ser parametrizados com dados padronizados de entrada que são globalmente disponíveis. Todos os exercícios de modelos precisam ser validados com os dados reais de campo.

   Os experimentos existentes do solo em longo prazo podem ter um papel decisivo para a quantificação do efeito de processo que conduzam as mudanças no COS e para a validação dos resultados de modelagem. Nos últimos anos, ocorreram vários progressos significativos na avaliação dos reservatórios globais de Carbono Orgânico do Solo e na montagem abrangente de bancos de dados de COS. No entanto, a fim de atender as necessidades de informação do século 21, uma network de COS globalmente e internacionalmente globalizada, tais como a INTERNATIONAL SOIL CARBON NETWORK (Network Internacional de Solo de Carbono) será necessária. Além de seus desafios científicos o estabelecimento de uma network de COS global será em demanda com o destacamento da infraestrutura e mão-de-obra. Requer também um forte compromisso por importantes instituições de Ciência do Solo e a prontidão para unir forças e superar as barreiras institucionais. Estabelecendo uma network de monitoramento global de solo será um longo e tedioso processo, com altos e baixos. Com isso, exigindo a resistência dos cientistas envolvidos além do financiamento contínuo, a fim de fiscalizar e integrar as informações emergentes nos sistemas já existentes. O benefício esperado de um sistema de informação funcional mundial do COS será enorme, igualmente para os tomadores de decisões, gestores de terras, e da comunidade científica.

Traduzido por Bruno Ferraz