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Analistas reduzem estimativas do preço de carbono da ONU para 2020

Escrito em 04/10/2012 por Nina Chestney

Analistas cortaram ainda mais suas previsões de preço para as permissões de carbono da ONU para 2020 nesta terça-feira, já que o excesso de oferta continuou a colocar pressão nos valores, mostrou uma pesquisa da Reuters com 14 analistas.

As permissões de carbono da ONU, chamadas reduções certificadas de emissões (RCEs), perderam mais de 70% de seu valor no último ano por causa do contínuo excesso de oferta de permissões, da baixa demanda devido à recessão econômica global e de preocupações sobre as restrições no uso de RCEs em mercados de carbono de outros países.

Os preços para as RCEs de referência levaram a novos recordes abaixo dos 1,50 euros (US$ 1,93) por tonelada no último mês, mas desde então se recuperaram levemente para mais de dois euros.

As previsões médias de 2012 a 2020 têm caído a cada mês em todos os anos de contrato de RCEs desde a pesquisa de maio.

E o excesso de oferta deve continuar. Espera-se que a emissão das RCEs quase dobre nesta semana após um setembro fraco. Alguns analistas alertaram que injeções maiores do que o esperado de oferta no mercado podem colocar os preços abaixo dos dois euros novamente.

Analistas do Barclays Capital disseram na última semana que o excesso de oferta e a demanda estagnada garantirão que os preços das RCEs se mantenham abaixo dos três euros indefinidamente, mesmo que os governos da União Europeia intervenham no Sistema de Comércio de Emissões da UE (ETS) para ajudar a estimular os preços.

As RCEs são comercializadas sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo da ONU. Sob o esquema, os governos e companhias em países desenvolvidos podem ganhar créditos de carbono investindo em projetos de baixo carbono em países em desenvolvimento.

Pouca saída

Um certo número de RCES, às vezes chamadas compensações, pode ser usado por companhias da UE para cumprir com o ETS.

“Com apenas o EU ETS comprando atualmente essas compensações e a maioria dos participantes querendo realizar pelo menos alguma troca de permissões até a Fase Três (o período de comércio de 2013-2020), as compensações estão tendo que competir para serem vendidas no mercado”, afirmaram os analistas do BarCap.

“Com essa competição se intensificando à medida que passamos pelos próximos oito meses até abril do próximo ano, realmente parece haver pouca saída para os preços [das RCEs].”

A previsão média para as RCEs na segunda metade deste ano era de 2,50 euros por tonelada na terça-feira, uma baixa de 16% em relação à pesquisa anterior de setembro, enquanto a previsão para 2013 foi cortada em 22% para 3,44 euros.

A previsão média para 2014 foi reduzida em 18,5% para 4,70 euros, enquanto a estimativa para 2015 foi cortada em 18,3% para 5,43 euros. A previsão para a Fase Três ficou em 5,41 euros, 5,3% abaixo do último mês.

Enquanto isso, as previsões médias para as permissões de carbono chamadas EUAs mudaram pouco.

Os preços das EUAs na segunda metade do ano ficaram em média em 7,60 euros por tonelada, apenas 0,30% abaixo da pesquisa do último mês. A previsão média para EUAs em 2013 ficou 0,82% menor, em 9,07 euros.

No entanto, as previsões para depois de 2013 foram mais altas. As EUAs em 2014 foram colocadas 1,19% acima, em 11,30 euros, enquanto as EUAs de 2015 foram colocadas 2,6% acima, em 11,59 euros. A média para o período de comércio de 2013-2020 ficou 2,23% acima, em 11,49 euros.

Traduzido por Jéssica Lipinski